sexta-feira, 17 de junho de 2011

Crítica: X-Men Primeira Classe

Direção: Matthew Vaughn

Roteiro: Ashley Miller, Zack Stentz, Jane Goldman, Mathew Vaughn

Elenco: Michael Fassbender (Magneto), James McAvoy (Xavier), Kevin Bacon (Sebastian Shaw), Jennifer Lawrence (Mística), Jason Flemyng (Azazel).



Inicio a crítica de hoje fazendo um comentário que faria jus ao que eu vi no filme: o nome deste não deveria ser X-Men First Class, e sim X-Men – Magneto (é claro que o filme não é sobre o Magneto apenas, mas sua participação é tão marcante, e tão superior a qualquer outra, que eu acredito que seria mais justo se fosse dessa forma). O filme se inicia com este, é desenvolvido a maior parte do tempo com a sua presença e tem em seu final uma apresentação do que este veio a se tornar. E não apenas isso, Michael Fassbender, que já teve participações marcantes em 300 e Bastardos Inglórios, consegue criar um Magneto que atinge todos os cantos possíveis e imagináveis do ódio, da compreensão, da amargura, do sofrimento e, por incrível que pareça, da compaixão. Sem exageros, até o momento e na minha opinião, esta foi a melhor atuação do ano.

Logo na primeira cena de X-Men First Class, Bryan Singer já deixa bem claro por que voltou à franquia X-Men: para ajudar a reviver o sucesso que os dois primeiros filmes (escritos e dirigidos por ele) alcançaram. Começamos vendo a mesma cena na qual Eric Lehnsherr (Magneto) é separado dos pais, em um campo de concentração de judeus durante a segunda guerra mundial. É nesse momento que já vemos o trabalho do diretor Matthew Vaughn (do fantástico Kick-Ass e do divertido Stardust) e Singer, traçando um laço que une diretamente o primeiro filme ao First Class, ao mostrar Sebastian Shaw (vivido energicamente e com uma dose certa de maldade por Kevin Bacon) em uma janela observando o jovem que viria a ser Magneto. Shaw, que neste período trabalhava como um médico nazista, vê o potencial do garoto e inicia alguns testes com o menino com intuito de libertar seu poder. Não tendo sucesso, Shaw apela algo mais grave: traz a mãe do menino (não se esqueçam, isso se trata de um campo de concentração, o contato dos dois era nulo até então) para seu “consultório” (a troca de posição da câmera efetuada por Vaughn, revelando uma sala de tortura, imediatamente causa um choque no espectador, e passamos a entender toda a pressão que sofre o jovem Eric), e aponta uma pistola para a mesma. Desesperado o menino tenta passar no teste do médico (onde ele deveria mover uma moeda). Ao falhar, Shaw atira em sua mãe. O ódio toma conta do menino que destrói tudo que era feito de metal na sala. Esta cena é fundamental para entendermos o início do processo de criação do vilão que viria a ser Magneto. Não se trata, então, apenas de um menino que perdeu os pais no holocausto. Trata-se de um menino que nasceu e foi criado com uma forte idéia de vingança, fortalecida pelos traumas que Eric sofreu.

O mais interessante disto tudo é que nós sabemos quem é o Magneto. Sabemos qual o tipo de vilão que ele é e o quanto ele é poderoso. Mas ao vermos pelo que o menino Eric passou, automaticamente ficamos ao seu lado, e o vilão, passa a ser o herói quando, já adulto, procura todos os responsáveis por tudo que sofreu. É evidente que ao fim, sabemos que não estaremos mais ao seu lado (teoricamente), mas mesmo assim vibramos com cada passo em direção a esta vingança e, enquanto ele não a alcança, estaremos apoiando-o. Este é um ponto muito positivo do roteiro, que, logo de início, já nos coloca no “mesmo time” do protagonista do filme, exatamente aquele que sempre tivemos como o grande vilão da história.

Com uma montagem com cenas rápidas (há uma referência aos quadrinhos durante a cena do treinamento), o que beneficia principalmente Azazel (interpretado por Jason Flemyng) com suas excelentes cenas de lutas, desta vez X-Men First Class foca no ponto que sempre foi o diferencial na franquia X-Men: no poder de cada mutante. Afinal, quem aí assiste aos filmes X-Men e não fica empolgadíssimo com todas as façanhas produzidas pelos mutantes do filme?

Apostando nisso, a produção traz diversos mutantes e poderes diferentes, sendo que cada um tem o seu momento para ser apresentado ao espectador, tomando quase metade da produção. Outra decisão muito inteligente de Vaughn e Singer foi de deixar o poder de Sebastian Shaw por último, afinal se tratava do grande vilão do filme, e, nos trailers, o seu poder foi tratado como uma grande incógnita. Apenas no meio do segundo ato que sentimos um “Ok, chega de poderes, vamos à história”. A idéia em geral é excelente, mas, a execução acaba sendo exagerada. Por exemplo, os personagens Riptide, Darwin e Angel (o rapaz que cria tornados, o taxista que “se adapta para sobreviver” e a vespa que cospe bolotas de fogo) são completamente descartáveis. São mutantes com poderes sem graça e não fazem a menor diferença na história. E além do mais, o mutante Riptide, de tão inútil que é, não fala sequer uma palavra o filme inteiro.

Outro ponto importante a ser comentado são os efeitos visuais do filme. Literalmente 8/80. Momentos espetaculares, e momento tosquíssimos. Por exemplo: no ataque de Sebastian Shaw à primeira base dos X-Men, a cena em que os agentes abrem fogo, ele absorve os tiros, e libera a energia explodindo tudo à sua volta é magnífica. De uma qualidade de cair o queixo. Por outro lado, a cena em que Xavier (vivido com uma tranqüilidade contagiante por James McAvoy) e Fera (interpretado por Nicholas Hoult) estão correndo do lado de fora da mansão é péssima. Chega a ser ridículo assistir a uma cena dessas e pensar que ela passou por horas de pós-produção e não foi melhorada. Não consigo entender o que houve para tamanhas divergências no mesmo filme.

O último aspecto técnico que eu gostaria de ressaltar, e o que, junto com a atuação de Fassbender, foi a minha grande satisfação da noite, é a trilha sonora. Foi simplesmente incrível sentir as músicas acompanhando cada cena tensa, cada cena alegre, cada cena vitoriosa, e cada cena desastrosa. Henry Jackman (que já havia feito a trilha de Kick-Ass) acerta em cheio em todas as suas composições, fazendo uma rima visual/sonora perfeita.

Para finalizar vou citar duas cenas maravilhosas, cujo planejamento e execução foram perfeitos: a primeira, ainda no primeiro ato, quando Eric vai à Argentina se vingar de dois oficiais alemães que haviam fugido da Alemanha após o término da guerra. Com uma união perfeita de efeitos visuais, trilha sonora e atuação de todos os atores envolvidos (além de uma bela fotografia amarelada, nos remetendo a um trocadilho visual com um momento “faroeste”, pois, de fato, ocorre um duelo), temos a cena mais empolgante de todas. Não pude deixar de soltar um “O MAGNETO É F%&A” ao fim.

E a segunda cena, no segundo ato, é o instante em que notamos a força do laço existente entre Xavier e Eric, é o momento em que Xavier tenta ensinar o seu amigo a controlar seu poder. Para isto, Xavier entra na mente de Eric e resgata sua lembrança mais feliz. A cena é simplesmente linda. Xavier se emociona junto com o seu amigo, e com isso, vemos uma lágrima escorrendo no seu rosto. A suavidade da fotografia e a delicadeza com que Vaughn carrega a cena é simplesmente emocionante. Contando também com uma atuação digna de aplausos dos dois atores.

Um filme que vai aos extremos nas atuações, nos efeitos visuais, na trilha sonora e em diversos outros aspectos. Passando por momento toscos e momentos memoráveis, no geral, é um excelente filme com cenas que ficarão guardadas por um bom tempo na minha memória. Sem sombra de dúvida.

Nota 4/5

(Veja no post abaixo, a cena onde Magneto usa seu poder para retirar um enorme submarino de dentro da água. Nesta cena podemos ver algumas coisas citadas na crítica acima: note a relação próxima entre Xavier e Magneto, quando o primeiro volta a aconselhar seu amigo no uso de seu poder. Note também os extremos dos efeitos visuais, com uma cena ruim que é quando Magneto aparece junto à roda do avião, e outra excelente, que é a levitação do submarino em si. E não só isso, notem a esperteza de Vaughn em empregar uma câmera lenta exatamente no momento em que Magneto consegue alcançar o máximo de seu poder e ser acompanhado por uma trilha sonora que aos poucos aumenta, fica mais forte e, por fim, triunfante).




PS.: Para quem conhece os personagens do mundo dos X-Men, vai infartar, como eu, com 3 referências no segundo ato. Duas pequenas e uma que é simplesmente espetacular.

6 comentários:

  1. mandou mto bem mlq!!

    como vc falou em relação aos efeitos especiais, serem 8/80, acho que isso se aplica a varios outros pontos do filme..
    o filme se salva nas atuações excelentes dos 3 principais, Fassbender, McAvoy e a Jennifer Lawrence que meudeusdocéu é foda em todos quesitos! e algumas cenas mto iraadas, como as que vc falou, e mais pro final, a dos misseis e da moeda, que sao animais tb.
    o desenvolvimento dos personagens foi bem feito tb, mas eu achei que faltou trabalhar um pouco mais o Magneto, sei lah, o sentimento de vingança fica evidente, mas a revolta contra a humanidade inteira, que leva ele a se tornar mesmo Magneto, não me convenceu. Por exemplo, nesse sentido a Mística foi melhor trabalhada, a meu ver.
    Agora, o filme ta cheio de coisa ESCROTA, aquele pano de fundo com a tensão EUA X URSS ficou imbecil, os personagens secundários são mongóis, a parte que eles se juntam na mansão é desinteressante, a cena da agente da CIA na boate eh uma das coisas mais ridiculas que eu já vi, e no final a Mística mandando um "Po, Xavier, a gente sempre foi brother, eu sei que vc tá malzão agora que acabou de tomar um tiro, mas se fode aí valeu, sou escrota", isso é diminuir mto os personagens, fica zoado..

    mas ai, Kick-ass maneh?? PUTAFILMECHATOOO

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  2. "Agora, o filme ta cheio de coisa ESCROTA, aquele pano de fundo com a tensão EUA X URSS ficou imbecil, os personagens secundários são mongóis, a parte que eles se juntam na mansão é desinteressante, a cena da agente da CIA na boate eh uma das coisas mais ridiculas que eu já vi, e no final a Mística mandando um "Po, Xavier, a gente sempre foi brother, eu sei que vc tá malzão agora que acabou de tomar um tiro, mas se fode aí valeu, sou escrota", isso é diminuir mto os personagens, fica zoado.."

    (1) Gênio da Crítica

    auahuahuahauhauha

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  3. aauhuahuahuahau, como eh bom ter leitores que entendem do assunto em questao neh mlq!!

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  4. ""Agora, o filme ta cheio de coisa ESCROTA, aquele pano de fundo com a tensão EUA X URSS ficou imbecil, os personagens secundários são mongóis, a parte que eles se juntam na mansão é desinteressante, a cena da agente da CIA na boate eh uma das coisas mais ridiculas que eu já vi, e no final a Mística mandando um "Po, Xavier, a gente sempre foi brother, eu sei que vc tá malzão agora que acabou de tomar um tiro, mas se fode aí valeu, sou escrota", isso é diminuir mto os personagens, fica zoado.."

    (1) Gênio da Crítica

    auahuahuahauhauha "

    (2)

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