segunda-feira, 13 de junho de 2011

Crítica: Filhos da Esperança

Direção: Alfonso Cuarón

Roteiro: Timothy J. Sexton, Alfonso Cuarón, David Arata, Mark Fergus, Hawk Ostby e P.D. James (material original).

Elenco: Clive Owen (Theo), Michael Caine (Jasper), Julianne Moore (Julian), Chiwetel Ejiofor (Luke), Pam Ferris (Miriam).





Filhos da Esperança começa com uma narração em off, que percebemos se tratar de um noticiário, onde um relato sobre a morte de uma jovem celebridade parece chocar profundamente as pessoas que recebem a notícia. O jovem, conhecido como “Baby” Diego, já nos chama atenção por se tratar de um rapaz de 18 anos, morto por um de seus fãs ao recusar um autógrafo (mas hein???). A circunstância do acontecimento não tarda a ser apresentada quando, Alfonso Cuarón, no primeiro de seus diversos planos longos (cenas sem cortes), nos leva desde o interior da cafeteria onde é apresentado o noticiário, até a rua de uma cidade marcada pelo caos.

Mas por que o rapaz era celebridade e por que este sofrimento todo por sua morte? Pois bem, no decorrer do filme descobrimos que o “Baby” Diego se tratava da pessoa mais jovem do planeta, e que as mulheres sofriam de uma infertilidade gradativa que atinge o seu ápice exatamente após o nascimento do menino. Há 18 anos não nasce uma criança no mundo.

Uma Inglaterra destruída, seja por algum tipo de apocalipse, seja por questões políticas, já é bastante comum para quem gosta deste tipo de drama (28 Dias Depois e V de Vingança são ótimo exemplos). Aqui, temos uma Inglaterra vista (pelo seu próprio governo) como última esperança do planeta. E entre imigrações ilegais e o início de uma guerra civil, vemos um governo que de fato tenta encobrir uma realidade mundial que já faz parte do país. E é exatamente neste ambiente que somos apresentados a Theo, interpretado maravilhosamente bem por Clive Owen, um homem já sem esperanças (assim como grande parte do mundo) que vive sua vida em função dela mesma.

É impressionante o nível de realismo alcançado por Cuarón e por seu diretor de fotografia Emmanuel Lubezki (responsável pelas belas fotografias de Desventuras em Série e A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça) ao retratar uma Inglaterra destruída por toda a extensão do longa. Na maioria do tempo com a câmera em mãos, Cuarón nos leva junto com Theo por becos, vales, ruas destruídas, edificações em ruínas, dando a sensação de estarmos acompanhando-o em sua jornada. Diversos planos com longa duração, nos levam desde a tranquilidade de um carro de passeio à situações tensas onde tememos pela vida dos personagens.

E é exatamente o plano que se passa dentro de um carro de passeio que chamou minha atenção. Cuarón passa quase 5 minutos, sem cortes, com uma câmera que parece flutuar, passando pelo rosto de cada um dos personagens, girando 360º e indo de dentro para fora do carro. Nestes 5 minutos, somos levados a diversos momentos e sensações diferentes. Começamos com uma pequena apresentação do ambiente, onde a câmera recua e nos mostra o ambiente apertado onde os 5 personagens se encontram. Após isso, a câmera se aproxima dos viajantes, para nos mostrar mais de perto como todos se portam, e todos estão bem (podemos notar até um pouco de esperança emanando de cada um, o que, para a situação em que vivem, é algo raro). Com outro giro, vemos o início de uma brincadeira que todos parecem gostar. Nos sentimos agradados pela felicidade dos personagens, pois seria o primeiro momento onde ficamos à vontade com a situação dos personagens. A câmera gira, nos leva para fora do carro. Um carro em chamas e atirado na frente do veículo, dezenas de pessoas descem gritando e atacando o carro, uma moto aparece em cena, um tiro é dado e uma pessoa que tinha se tornado querida para o espectador morre.

São reviravoltas deste tipo que fazem com que Filhos da Esperança seja tão genial. O sentimento é de estarmos presentes, a Inglaterra ser a nossa cidade e fazermos parte dessa raça humana na beira da extinção. Junto a isto Theo é a nossa única esperança, seu carisma (notado até mesmo pelos bichinhos de estimação do filme, que, assim como nós, confiam nele) faz com que a sua jornada vire a nossa jornada.

Vale dizer que não apenas a direção de Cuarón e a fotografia de Lubezki merecem aplausos. O roteiro, escrito junto por 5 pessoas (incluindo o Cuarón), consegue nos mostrar a premissa da história (importantíssimo para que possamos entender o que levou à situação atual) de forma absolutamente orgânica. Tanto, por exemplo, ao contar a história por traz do filho de Theo (aos poucos, com acontecimentos palpáveis), como ao trazer o passado da personagem Miriam (que descobrirmos ser médica obstetra), o roteiro convence. Assim como a direção de arte, que enche os cenários com referências, tanto ao passado pacífico vivido pelos personagens, quanto à crescente crise que assolou o planeta. A todo o momento vemos recortes de jornais, retratos, quadros, que nos mostram como as coisas eram, pelo o que tudo passou e aonde tudo chegou.

Depois de passarmos por mau bocados, desviando de balas e evitando sermos pegos com o bem mais precioso da raça humana (e também sua única esperança de sobrevivência). Após presenciar o poder da inocência de um bebê, forte o bastante para cessar com um conflito, e não tardar para que a cegueira pelo conflito em si volte a assolar as pessoas que deixam de perceber que a sua salvação está ali, a alguns centímetros, para voltar a guerrear. Após atingirmos a exaustão sem nunca deixar de ter esperança, conseguimos ver pela última vez o fruto de nosso esforço bem à nossa frente. Seguro.

Nota: 5/5

(Veja a cena de abertura do filme abaixo. Prestem atenção na forma como Cuarón inicia o filme, e na forma como ele nos leva para fora da cafeteria. Gentilmente ele nos mostra a situação que se encontra o mundo e, a partir daí, começamos a entender a razão de tanto sofrimento pela morte de um jovem. Infelizmente não encontrei o vídeo legendado)

3 comentários:

  1. Esse filme é da porra... nunca me canso de ver... e olha que cheguei desacreditado no cinema... (momento Lamarão: e quando aparece os peitinho da menina? nossaaaaaa....)

    ResponderExcluir
  2. iradoo! esse filme eh realmente mto bom, mas eh daqueles que eu tenho q ver dnovo, pq jah nao me lembro dos detalhes..
    mas aih, nao faz soh dos filmes antigos nao, faz dos novos tb, q atrai mais a atenção das pessoas!
    abraçow

    ResponderExcluir
  3. Lamara,

    De fato, filme foda... e de fato você tinha de comentar algo assim... hehehehe


    Samael,
    Não vou fazer só de velhos não. To terminando a crítica do X-men :D

    ResponderExcluir