
Direção: Gonzalo López-Gallego
Roteiro: Brian Miller
Elenco: Warren Christie e Lloyd Owen
Jogue em um liquidificador Atividade Paranormal, Bruxa de Blair e os flashes da câmera fotográfica de Jogos Mortais (que provavelmente foram copiados de um terceiro filme), e você terá Apollo 18 - A Missão Proibida. O problema é que, diferente de A Bruxa de Blair, Apollo 18 não consegue se salvar nem por sua premissa. O filme é fraco, sem suspense, sem terror, e sem nada que possa gerar intriga no espectador.
Assim como os filmes mencionados acima, Apollo 18 se trata de uma ficção que tenta ser transmitida como verdadeira. Não apenas pelo que vemos no filme e pela forma como ele foi produzido, mas também pelas campanhas da produção do filme que contam inclusive com um site que promete ser o revelador dos segredos dos mistérios sobre as missões à Lua. Uma enorme besteira (não me darei ao trabalho de divulgar isso).
A premissa é a seguinte: Apollo 17, que ocorreu em 1972, foi dita ser a última missão tripulada para a Lua. O que todos não sabem é que houve uma outra missão, a Apollo 18, em 1973, e teria sido devido aos acontecimentos nessa missão (escondidos pelo governo americano do resto da população mundial), que o homem decidiria nunca mais voltar à Lua.
Como eu disse, essa lógica funcionou quando nós realmente acreditávamos que a Bruxa de Blair havia sido real (eu lembro o terror que foi acreditar que as cenas eram reais), e até em Atividade Paranormal, que, por mais que fosse óbvio se tratar de uma ficção, os ambientes claustrofóbicos e aterrorizantes de um quarto escuro foram suficientes para trazer momentos assustadores em nossos próprios quartos (vai dizer que você não olhou pra porta do seu quarto, no escuro, e torceu para que ela não se mexesse?). Mas hoje em dia, focar em uma campanha de que "o filme tem cenas reais", onde o suspense é fraco e a própria lógica de captação das imagens é falha, é um grande tiro no pé.
A direção de Gonzalo López-Gallego acerta ao apostar em ângulos "abertos" (por mais que a razão das imagens seja pequena, condizendo com as câmeras portáteis da época) fora da nave, criando um bom suspense onde sempre esperamos vir um susto, mas erra grotescamente ao acrescentar um zoom no ponto onde devemos perceber um movimento. Seria o mesmo que eu entregar para uma criança um livro do Wally, ver os olhos dela brilhar de empolgação, e assim que ela começasse a criar esperanças de achar o dito cujo, apontar e falar "OLHA O WALLY AQUI Ó!!!!!!". É um erro feio e, de certa forma, desrespeitoso. Pois além de estragar COMPLETAMENTE o suspense da cena, ainda duvida da inteligência do espectador. "É, essa galera não vai sacar de onde vai vir o susto, vou avacalhar a cena e mostrar onde será".

Já o roteiro de Brian Miller, que deveria ser o grande coringa da produção, consegue um feito horrendo: não conseguir explicar a razão do envio dos astronautas ao espaço, estragando por completo a lógica do longa. Primeiramente, como eu já disse acima, a lógica da captação das imagens é estragada por não conseguirmos entender como estas imagens chegaram às mãos do governo americano (ou qualquer outra pessoa). E em relação à razão da missão, fica simplesmente sem nexo a existência da Apollo 18. Sem revelar nada sobre o final do longa, digo que, em dado momento, quando já entendemos a situação da tripulação, nos perguntamos por que estes haviam sido levados nesta missão. E acreditem, não há explicação! (Ok, o filme apresenta uma explicação. Mas além de ser algo extremamente clichê e previsível, pense bem, não faz o menor sentido).
E para fechar com chave de ouro, ao fim da projeção, somos apresentados a alguns "dados oficiais" da missão (fichas informativas), onde o paradeiro de cada tripulante é "revelado", como que retirado de algum arquivo "secreto" do "governo". E como se o filme já não estivesse ruim o suficiente, estes dados chegam para estragar de vez. Sinceramente, foi muita presunção de Gallego achar que nesta altura do campeonato alguém acreditaria ter visto "cenas reais" no filme. Logo, inserir estas fichas se torna praticamente cômico, justamente após o que viria a ser a cena mais "tensa" do longa.
Tive de usar muitas aspas neste último parágrafo, afinal estou escrevendo sobre um "filme".
Nota: 1/5